sábado, 26 de fevereiro de 2011

DAS TREVAS À LUZ

"A estrita conexão entre a sabedoria teológica e o saber filosófico é uma das riquezas mais originais da tradição cristã no aprofundamento da verdade revelada. Por isso, exorto-os a recuperarem e a porem em evidência o melhor possível a dimensão metafísica da verdade, para desse modo entrarem num diálogo crítico e exigente quer com o pensamento filosófico contemporâneo, quer com toda a tradição filosófica, esteja esta em sintonia ou contradição com a palavra de Deus. Tenham sempre presente a indicação dum grande mestre do pensamento e da espiritualidade, S. Boaventura, que, ao introduzir o leitor na sua obra Itinerarium mentis in Deum, convidava-o a ter consciência de que a leitura não é suficiente sem a compunção, o conhecimento sem a devoção, a investigação sem o arrebatamento do enlevo, a prudência sem a capacidade de abandonar-se à alegria, a actividade separada da religiosidade, o saber separado da caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem o suporte da graça divina, a reflexão sem a sabedoria inspirada por Deus".
(Encíclica Fides et Ratio - Papa João Paulo II)

Pensando na Idade Media, achei que fosse interessante publicar esse trecho da Encíclica "Fides et Ratio", que parece combater a velha ideia segundo a qual esse período histórico foi marcado pela inesistência de uma produção intelectual relevante. As famosas "trevas" parecem ter dado espaço, em alguns momentos, para a "luz" da razão que auxiliou no desenvolvimento do conhecimento humano acerca do mundo e de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário