"Há ocasiões em que salvar uma vida é um crime maior do que tirá-la", diz o médico Harry Haiselden numa cena do filme A Cegonha Negra, ao instruir uma enfermeira a deixar à morte um recém-nascido deformado. A Cegonha Negra, porém, não é uma fita de terror barata. É uma peça de propaganda, feita em 1917 para divulgar a idéia da higiene racial. Tampouco o doutor Haiselden é um personagem de ficção. Trata-se de um americano que, como tantos outros cientistas até a metade do século XX, defendeu a idéia de que é possível criar um ser humano "superior" – desde que os indivíduos "inferiores" fossem tirados do caminho. Um trecho desse filme macabro pode ser visto no documentário Homo Sapiens 1900 (Suécia, 1998). A fita se debruça sobre o tema da eugenia, o ramo que pesquisa o que seria o aprimoramento da espécie por meio da genética. Homo Sapiens 1900 é um estudo claro, factual e impiedoso do racismo mascarado de ciência – e a serviço de alguma ideologia. Tem ainda a assinatura de um diretor experimentado: o sueco Peter Cohen, que no brilhante Arquitetura da Destruição, de 1989, dissecou a relação entre a violência de Adolf Hitler e a arte".
Vejo on-line (agosto de 2000)
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