AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL
O período tribal foi marcado pela presença dos quatro grupos que nós já vimos nos temas anteriores: o grupo dos pastores descendentes dos patriarcas (Abraão, Isaac, Jacó, etc.); o grupo dos camponeses oprimidos pelo sistema injusto das cidades estado de Canaã; o grupo que fugiu da escravidão do Egito, liderados por Moisés e o grupo dos beduínos de Seir.
Embora a união desses grupos tenha sido um marco na história da constituição do povo judeu, eles somente alcançaram o status de povo organizado muito tempo depois, com a instituição do regime monárquico. Até esse momento, não passavam de tribos e clãs unidos em torno de uma fé comum, mas com uma estrutura organizacional individual.
Já vimos também que o regime organizacional principal dessas tribos era o sistema patriarcal, no qual um patriarca exercia o controle sobre os seus filhos, mulheres, servos, etc. Ele era o juiz e o líder religioso do grupo ao qual ele controlava.
O governo tribal era um regime de governo descentralizado e democrático. Por isso essas tribos foram consideradas como sendo uma ameaça aos reis de Canaã e ao Império Egípcio.
Podemos encontrar exemplos desse tipo de resistência à opressão nos aldeamentos indígenas e nos quilombos dos negros que escapavam da escravidão. Tanto em um caso, como no outro, embora não estejam isentos de controvérsias, ambos os modelos se chocou com a estrutura oficial, fazendo com que eles acabassem sendo perseguidos e destruídos por serem considerados como sendo focos de resistência que impedia o enriquecimento dos grandes proprietários de terra.
Canaã, no século XIII a.C. era povoada por diversos povos muito antes da chegada dos grupos que depois, ao unirem-se, dariam origem ao povo judeu. A Bíblia nos fala dos heteus, gergeseus, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus (Dt 7, 1; Ex 3, 8.17).
Esse foi um período marcado pela perda de poder dos egípcios e pelo surgimento de uma nova força militar na região: os filisteus, que viviam no sul de Canaã. Podemos recorrer mais uma vez às informações na “Estela de Merneptá” para constatarmos que entre os anos 1224-1204 a.C. já existia um grupo de pessoas conhecido pelo nome de Israel e que resistia ao poder egípcio.
Os autores bíblicos, ao escreverem sobre as doze tribos, vinculam cada uma delas aos descendentes de alguns dos patriarcas. O que podemos afirmar com certeza é que essas tribos foram se organizando em Canaã. Lugares geográficos deram nome às tribos que se assentaram nessas localidades. Outras tribos podem ter assumido o nome dos seus patriarcas para designar ao grupo.
Embora o livro de Josué insista em dizer que a ocupação foi pacífica, nós podemos sabemos que a ocupação desse território não se deu de forma tranqüila. Essa ocupação iniciou-se nas regiões montanhosas. Cada tribo ocupou uma parcela do território e o que as unia era a necessidade de defesa e o desejo de celebrar a mesma fé.
No principio desse processo, os israelitas não conseguiram dominar muitas cidades cananéias. Existe, inclusive, uma lista das cidades que não foram conquistadas (Js 15, 63; 17, 11-13; Jz 1, 21-35). Em Jz 1, 1-2.5 nós encontramos outra lista de cidades que foram dominadas. A aparente contradição se explica pela época da qual o segundo texto faz referência: a monarquia de Salomão.
As tribos do norte foram chamadas de Israel e as do sul de Judá. É provável que fossem tribos de procedência distinta. As diferenças entre elas serão minimizadas pela “Confederação de tribos” que irá ser constituída. Um enorme avanço somente foi possível pela “fé comum” que esses grupos compartilhavam (Js 24, 1-28).
Essa “Confederação” representou uma união que visava o culto comum ao Senhor, em santuários comuns, e a oportunidade para se discutir questões importantes que diziam respeito a todos.
Aqueles que vistos como sendo os líderes de cada uma das tribos se reuniam periodicamente para tratar de questões relacionadas com o universo religioso ou com o político (Js 21, 1-2). Também utilizavam essas reuniões gerais para comercializar produtos.
O momento principal que deu força para esse movimento foi a “Assembléia de Siquém” (Js 24, 1-28).
As tribos sabiam que além da união religiosa, eles deviam lutar juntos para estabelecer entre eles uma relação justa no que diz respeito às relações econômicas e políticas.
Quando uma das tribos era atacada, as outras se uniam a ela para defendê-la. Nessas lutas foram se destacando determinados personagens que depois ficaram conhecidos como sendo os “juízes de Israel”. Porém, sobre esses juízes, nós falaremos mais tarde.
A grande ameaça vinha dos filisteus, habitantes da faixa litorânea, ao sul do território de Canaã. Eles eram poderosos, grandes guerreiros e constantemente tentavam dominar os territórios que estavam em poder dos israelitas.
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