sábado, 9 de abril de 2011

A MONARQUIA DE ISRAEL

A MONARQUIA EM ISRAEL

• A esperança do povo referente à monarquia aparece retratada em um cântico tardio que foi inserido no principio do primeiro livro de Samuel (1Sm 1, 1-10).

• Encontramos uma descrição dos fatores que contribuíram para a ruína do sistema tribal – corrupção e injustiças (1Sm 2, 11-36).

• Outro problema era a ausência de grandes líderes. Surge então a figura de Samuel: o último dos juízes e o primeiro dos grandes profetas (1Sm 3, 1-21).

• O perigo filisteu era cada vez maior. Eles dominavam a arte do trabalho com o ferro e construíam armas eficazes. Ocorre um fato terrível: a Arca da Aliança cai nas mãos do inimigo. Este roubo é mais um elemento que comprova a decadência do sistema tribal e a sua incapacidade para conter o avanço dos inimigos (1Sm 4, 2-11).

• Segundo as informações que encontramos registradas nos textos bíblicos referentes a este período, o tempo em que a Arca esteve em poder dos filisteus foi marcado por uma série de dificuldades inusitadas e inexplicáveis (castigos) pelos quais eles tiveram que passar. Logo eles chegaram à conclusão de que seria melhor devolver a Arca para os seus legítimos proprietários (as tribos judaicas). Desde uma leitura religiosa dos acontecimentos históricos, os judeus atribuem essa vitória à ação de Deus sobre os inimigos. Os filisteus desejam incorporar Javé ao conjunto de deuses que eles já adoravam. Eles devolveram a Arca e acabaram pagando caro pelo roubo, enviando como “pedido de desculpas” uma quantidade considerável de ouro (1Sm 5, 1-12; 6, 1-18).

• Samuel, depois da devolução da Arca, lutará para combater a presença de outros deuses e a prática da adoração a eles nos territórios tribais. Na Assembleia de Masfa, ele vai pedir o perdão de Deus. Os filisteus irão aproveitar esta ocasião para atacar os israelitas. Mais uma vez Deus se coloca do lado do seu povo e os filisteus sofrem mais uma derrota; desta vez definitiva, visto que eles não voltarão a atacar os judeus (1Sm 7, 1-15).

• Com estas ações de liderança, Samuel passa a exercer a função de juiz sobre todas as tribos (1Sm 7, 15).

• Na sua velhice, Samuel vai colocar dois dos seus filhos para exerceram a função de juízes sobre as tribos. Infelizmente os dois não seguirão o bom exemplo do pai, e irão acabar sendo maus governantes (1Sm 8, 1-3). Esta será a gota d’água que fará com que o povo, através da representação exercida pelos anciãos, peça a Samuel para que ele escolha um rei para governá-los. Os judeus se enganavam, ao pensar que a presença de um rei seria a solução para os seus problemas. Na verdade, a mudança de conduta é sempre uma aposta individual (1Sm 8, 4-5).

• Para Samuel, este pedido poderia vir a representar um abandono da noção de “teocracia” que sempre marcou a organização do povo (1Sm 8, 6-9). Entre os israelitas, fosse qual fosse o sistema de governo, sempre existiu uma certeza: na verdade, quem os governa é Deus, sendo representado pelos líderes legitimamente escolhidos.

• Em um último esforço para tirar essa ideia da cabeça dos israelitas, Samuel faz uma descrição detalhada das implicações que a aposta pela monarquia irá causar para eles (1Sm 8, 10-18). Mesmo assim, o povo não se dá por convencido e continua insistindo para que a monarquia seja instaurada (1Sm 8, 19-22). O povo, ao pretender ser “igual” aos outros povos monárquicos, acaba se perdendo. É a ausência de um reconhecimento para com as ações de Deus em favor deles.

• Existe outra versão da instituição da monarquia em Israel que apresenta uma visão positiva desse fato. Para o autor desta segunda versão, a instituição da monarquia é uma benção para o povo. Ela é a realização da vontade de Deus (1Sm 9, 1-27; 10, 1-9).

• A monarquia foi um fenômeno histórico e cume de uma trajetória religiosa.

• O rei, em Israel, protege os interesses do povo e representa, diante dele, ao próprio Deus.

• Grandes impérios estavam enfraquecidos nesse período (Egito lutando para defender seus domínios de invasões estrangeiras e Síria iniciando um período de declínio do seu império).

• Isso permite que povos menores sonhem em se tornar grandes, organizando-se politicamente.

1. O REI SAUL

• Seu reinado inicia por volta do ano 1030 – 1010 a. C.

• Intermediada por Samuel, a escolha do novo rei ocorre “por sorteio”: uma prática comum naquela época (1Sm 10, 17-26).

• Saul não será uma unanimidade. Ele, no princípio, se mantém calado frente às criticas (1Sm 10, 27). Contudo, diante das ameaças estrangeiras e agindo pela ação de Deus nele, Saul irá assumir outra postura, muito mais agressiva e consciente. Isso fará com que o povo passe a vê-lo como sendo um bom líder, que deve ser escutado e seguido (1Sm 11, 1-15).

• Samuel continua insistindo para que o povo não acabe caindo no erro de abandonar o seu Deus. Caso isso ocorra, a monarquia recém instituída poderá perder a sua legitimidade (1Sm 12, 8-25).

• Os problemas começam quando o rei deseja absorver para si funções que não pertencem a ele, relacionadas, por exemplo, com as questões religiosas. O desejo de poder sempre acaba fazendo com que as pessoas se percam pelo caminho. Para Samuel, esta será a causa da ruína do reinado de Saul (1Sm 13, 5-14). Esta ruptura entre Samuel e Saul também contribuirá para o enfraquecimento do reinado.

• Embora tenha se equivocado, colocando em jogo o seu governo, é inegável que Saul contribuiu para a consolidação do povo judeu (1Sm 14, 47).

• Pelas suas ações, Saul foi perdendo pouco-a-pouco a sua legitimidade como representante da vontade de Deus (1Sm 15, 10-11a).

• Embora se esforçasse para oferecer sacrifícios para Deus, Samuel diz para Saul que eles não tem sentido enquanto ele seguir praticando a idolatria, pecados e buscando “feitiçarias”. Por tudo isso, Saul acabou perdendo o seu poder (1Sm 15, 19-23).

• Saul não aceitará bem o surgimento de um novo líder: Davi (1Sm 18, 28-30; 19, 8-11).

• Nesta disputa, a força do profeta Samuel se manifesta e ele acaba defendendo Davi (1Sm 19, 18-24).

• Davi poupa a vida de Saul e assim termina a perseguição e as disputas entre eles (1Sm 26, 21-25).

• O rei Saul é alertado sobre a proximidade do fim do seu reinado. Trata-se de um relato com elementos provenientes das tradições religiosas de outros povos do entorno geográfico (1Sm 28, 3-20).

• Morte de Saul (1Sm 31, 1-7).

2. O REI DAVI

• Seu reinado inicia por volta do ano 1010 – 970 a.C.

• Reinou aproximadamente por 40 anos (2Sm 5, 4).

• Israel chega ao seu esplendor como povo (embora existam sombras).

• Ungido secretamente por Samuel (1Sm 16, 13), foi, com o passar do tempo, proclamado rei de todo o país (2Sm 2, 4).

• Ainda durante o reinado de Saul, os que estavam descontentes com os rumos tomados pelo governante, começaram a ver Davi como sendo uma alternativa de transformação no poder (1Sm 22, 1-4).

• O exercício pleno do reinado somente iniciou em Hebron (2Sm 5, 1-5).

• Isbaal, filho de Saul, reina em determinadas regiões, enquanto Davi exerce o comando sobre a “casa de Judá” (2Sm 2, 8-11).

• Logo começam as lutas pelo controle de todas as regiões (2Sm 2, 17; 3, 1).

• Através de batalhas com povos estrangeiros, Davi consegue conquistar mais territórios, unificando definitivamente o país (2Sm 5, 17-25; 1Cro 14, 16).

• Tinha uma corte, várias mulheres e muitos filhos (2Sm 3, 2-5; 5, 13-16).

• Existiam problemas: filhos de Saul, fim do matrimonio com uma das filhas do antigo monarca (2Sm 6, 20-23) e reclamações sobre a suposta falta de justiça do rei (2Sm 15, 2-6).

• O assassinato entre irmãos (violência fratricida) e o golpe de estado (2Sm 13, 23-37; 15, 10-12).

• O fim de Absalão (2Sm 18, 9-17).

• Davi era um homem profundamente religioso (2Sm 7, 1-3).

• O sonho de um Templo para Deus é interrompido (2Sm 24, 1a. 11-15).

• Também existe uma parcela do povo contrária à idéia de um Templo para Deus, por considerar que essa era uma prática estrangeira (eles acreditam que a Arca deve seguir sendo conservada como era nos tempos nômades (2Sm 7, 1-7).

• Davi também foi profundamente humano, sujeito aos desejos e aos equívocos como qualquer pessoa (2Sm 11, 2-16).

3. O REI SALOMÃO

• Com a velhice de Davi começam as disputas pelo poder, entre os que consideram Adonias como sendo o sucessor legítimo e os que consideram Salomão (1Rs 1, 1-10).

• Através de uma manobra política os partidários de Salomão conseguem fazer com que Davi o reconheça como sendo o seu legitimo sucessor (1Rs 1, 11-53).

• A primeira decisão de Salomão como rei foi a de eliminar Adonias, o seu oponente imediato ao trono (1Rs 2, 12-25).

• Infelizmente, Salomão caiu no erro de se casar com mulheres estrangeiras, o que causará problemas na sua relação com Deus (1Rs 3, 1-3).

• Salomão destacou-se pela sua sabedoria (1Rs 3, 16-28; 10, 23-25).

• Estabeleceu alianças com outros povos (1Rs 3, 1; 11, 1-3).

• Salomão institui um sistema de governo eficiente, que elimina definitivamente qualquer resquício do sistema organizacional tribal (1Rs 4, 7-20).

• Controlava a região de passagem das caravanas que iam da Arábia à Síria e ao Egito (toda a região que iniciava no rio Eufrates e ia até o Mar Mediterrâneo - 1Rs 5, 4).

• Teve adversários estrangeiros (1Rs 11, 23-25).

• Apoiado pelo rei de Tiro (povo comerciante e experiente em navegações), Hiram I, construiu uma frota naval (1Rs 9, 26-28).

• Estabeleceu relações comerciais com povos da Arábia (1Rs 10, 1-13).

• Foi um reino marcado pela execução de grandes obras realizadas à custa do trabalho escravo dos prisioneiros e pelo trabalho prestado por grande parte da população israelita. Salomão também conseguiu instituir um exército permanente bem organizado e fortemente armado (1Rs 9, 10-20; 10, 26).

• Dentre as construções, a mais famosa, sem dúvida, foi a do Templo – aproximadamente 960 a. C. (1Rs 6, 1).

• A má influência das mulheres estrangeiras sobre o coração do rei fez, unida á prática de injustiças irá provocar um descontentamento generalizado. Com o tempo, Salomão começará a perder a sua legitimidade como governante representante da vontade de Deus (1Rs 11, 4-8).

Nenhum comentário:

Postar um comentário