sábado, 9 de abril de 2011

A FORMAÇÃO DO POVO

AS ORIGENS DO POVO

Os israelitas começaram a se preocupar com essa questão durante o período em que estiverem na Babilônia, como exilados. Antes desse período, eles transmitiam os seus conhecimentos ou as suas percepções oralmente, através de pequenas histórias que eram passada de pai para filho. Qual é a nossa origem? De onde viemos? Quem são os nossos antepassados? Essas e outras perguntas povoaram a mente dos israelitas ao longo dos séculos.

As principais descrições bíblicas que buscaram dar uma resposta para essas questões são aquelas que estão contidas no livro do Gênesis. Como exemplos, podemos citar o texto que narra a criação do primeiro casal (Gn 1, 1-2) e os que fazem referência aos sobreviventes do dilúvio (Gn 9, 1; 10, 1-32).

Lendo esses e outros relatos posteriores, chegamos à conclusão de que, para o autor bíblico, os israelitas seriam descendentes de Sem (Gn 11, 10-32). Abraão é o representante mais ilustre dessa linhagem genealógica, considerado pelos judeus como sendo o pai (patriarca) do povo. Os filhos que Abraão teve com as suas mulheres e os seus netos acabaram dando origem a uma grande diversidade de povos que são citados nos relatos bíblicos.

Por exemplo, nos lembremos de Madiã, filho que ele teve com Cetura (Gn 25, 1-2). Ele deu origem aos madianitas. Esses discursos buscavam fortalecer os laços entre esses inúmeros povos, através de origens comuns atreladas à questão familiar.

Os textos bíblicos que fazem referência à época patriarcal dos israelitas englobam um período de tempo muito longo (de 1800 a 1200 a.C.). Os povos originários desses clãs familiares ocuparam uma extensão territorial que ocupava toda a Ásia. Tudo isso nos leva a crer que a formação do povo se deu por outros fatores.

Os laços que uniam esses grupos deveriam ser construídos muito mais pela fé comum que eles possuíam do que pela mesma origem genealógica. Cada um dos três grandes patriarcas aparece atrelado, na Bíblia, com determinados santuários (lugares públicos de adoração de determinada divindade). Alguns deles, coincidentemente, compartilham de um mesmo local de culto.

Esses lugares são o cenário no qual Deus se revela a esses patriarcas e, por eles, se comunica com os seus respectivos povos.

Em Dt 26, 5b-9, o autor sagrado nos fala das origens do povo e identifica os primeiros membros como sendo “arameus errantes” (seminômades). Cada um deles, vivendo em determinada localidade (Abraão – Hebron e Mambré, Isaac – desertos do sul e Jacó – Mesopotâmia superior), se relacionou com uma mesma divindade. Por isso, os santuários que eles construíram nesses lugares são a peça central dessas narrativas ao redor dos quais todos os grandes acontecimentos vão ocorrendo e também as tribos vão se fixando de forma definitiva.

A palavra “promessa” marca esses textos. Nela, está expresso o conteúdo principal do anuncio que Deus os fez e que vai determinar toda a história posterior desse povo (Gn 12, 2; 12, 7; 13, 14-17; 15, 18). O que está por trás desses relatos são histórias relacionadas com a luta pela terra realizada por grupos desconhecidos de pessoas que compartilhavam uma fé comum. A única fonte não bíblica sobre o povo judeu desse período á a estela de Merneptá (1224 a.C.).

TRÊS FORMAS PARA SE CONTAR A MESMA HISTÓRIA

Em meio às tentativas que já foram realizadas para explicar a formação do povo israelita, encontramos três que merecem um destaque especial pela aceitação que elas alcançaram entre os estudiosos: a) o povo se formou no Egito, fora de Canaã, b) o povo se formou em Canaã, com a união de grupos que vieram de fora para habitar aquela região e c) O povo se formou em Canaã, a partir dos camponeses e dos oprimidos, que viviam nesse território e dos outros grupos que vieram de outras localidades para viver ali.

a) A hipótese de uma formação ocorrida no Egito é a que melhor representa o que os relatos bíblicos nos dizem. No principio, não passariam de 66-70 pessoas (Gn 46, 26-27). Embora se afirme que, com o tempo, esse pequeno grupo se tornou “uma grande nação” (Ex 12, 37), dada as más condições de vida dos hebreus no Egito (Gn 45, 17-18 e Ex 1, 1-22), devemos presumir que essas pessoas se organizaram em pequenas tribos (clãs) e não como um povo, com uma estrutura social bem organizada. O que importa nesses textos é a defesa da grandiosidade da ação libertadora de Deus, que atua para libertar o povo da escravidão (Ex 3, 7-8). Não existe nesses relatos, portanto, uma preocupação com a exatidão histórica dos fatos que são narrados. O fundamental, nesses casos, é descrever, da melhor forma possível, a experiência de fé de um grupo de pessoas ao qual denominamos de “israelitas”.

b) A segunda opção que agora vamos estudar diz respeito à hipótese de uma formação ocorrida pela união de diversos grupos que foram ocupando de forma progressiva o território de Canaã, vindos de outras regiões. Seriam pastores nômades que por diversas questões decidiram se fixar em uma região determinada, abandonando o seu estilo de vida, tornando-se agricultores.

c) A terceira possibilidade explicativa está construída sobre a ideia de uma formação a partir da união de grupos vindos de outras terras com os grupos de camponeses oprimidos que já habitavam o território de Canaã. Esses grupos que já estavam estabelecidos no território eram formados pelos pobres camponeses insatisfeitos com a vida que estavam levando nas cidades-estado. Por outro lado, os grupos vindos de longe estariam representados por Abraão, Isaac, Jacó (pastores seminômades), grupos que haviam fugido do Egito (liderados por Moises) e que se estabeleceram nas montanhas de Canaã por volta do ano 1250 a.C. e beduínos que viviam no monte Sinai. Esses grupos foram unindo forças, alcançando certa autonomia e ocupando outras faixas territoriais de Canaã, até que posteriormente, formariam um governo autônomo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário